
BaresSP Por Aí: Rota Gastronômica
Sabor de São Paulo Rios do Vale e Serra da Mantiqueira
Por Janaina Maximo |
05 de junho 2026
Saber da evolução do turismo em união com a gastronomia do estado de São Paulo é uma alegria, mas poder testemunhar pessoalmente é um privilégio. A Secretária de Turismo do Estado de São Paulo, através do projeto Rotas Gastronômicas, vem dando visibilidade tanto para nós paulistanos, como para paulistas, como para pessoas de outros estados e até países. O estado foi dividido em Rotas Turísticas (https://plataforma.turismo.sp.gov.br/guias), de alguns modos, como Rota Motociclismo, Rota Religiosa, entre muitas outras.
Nós participamos das Rotas Gastronômicas Sabor de São Paulo (https://www.sppratodos.com.br/sabordesaopaulo), onde conhecemos, ou melhor, saboreamos lugares em municípios nas regiões dos Rios do Vale e da Serra da Mantiqueira, durante uma semana circulamos por estradas de asfalto, de terra e até balsa, agora prepare os talheres e principalmente guardanapo, pois vou contar sobre todos os lugares e todas as delicias.
Saímos da cidade de São Paulo no domingo de manhã bem cedo, com chuva e frio, fomos direto para a cidade de Santo Antônio do Pinhal, onde fizemos a primeira parada, na Essenza Vinícola, produtores de azeite e de vinhos, além de proporcionarem experiências diferenciadas na propriedade, de um lado tem duas áreas no estilo restaurante, com pacotes diferentes de experiências, do outro lado, alguns bangalôs suspensos para grupos, onde podem desfrutar de isolamento com pic nic.
A nossa experiência incluiu uma aula no olival e depois um almoço com pratos da alta gastronomia, utilizando muitos insumos da região, harmonizados com os azeites e com os vinhos produzidos na Essenza, literalmente em tudo, até na sobremesa. Em seguida fomos conhecer a Araukarien Cerveja, ainda na cidade de Santo Antônio do Pinhal, no local produzem todos os rótulos e possuem o espaço estilo bar a céu aberto e empório. No cardápio, a minha sugestão é, peça a régua de degustação com 06 tipos diferentes, e só depois escolha qual irá continuar tomando. A parte de gastronomia é assinada pelo Restaurante Arco-Íris, nós experimentamos alguns petiscos como á tabua de salsichas, pinhão cozido com couve crispy e isca de filé empanado, mas também à pratos completos. Em breve terão “decks” separados para receber pequenos grupos.
Para finalizar o dia, fomos conhecer a Eisland Gelatos da Fazenda, são especializados em gelados fabricados com o leite que produzem com vacas Jersey e outros insumos da região, elaborando combinações inusitadas, podendo ser saboreadas na boca simplesmente ou em combinação com alguma sobremesa, aproveite para bater um papo com os proprietários, a história de vida e como foram parar lá fabricando gelato é bem interessante.

Imagem: Créditos Janaina Maximo
No segundo dia, fomos para a zona rural de São Bento do Sapucaí, receber uma imersão sobre azeites na Oliq Azeites, produzem azeites de oliva, de abacate e aromatizados, mas vão muito além da mesa, pois possuem uma enorme lista de produtos e diversas utilidades, como cosméticos e chás. Isso mesmo, chá da folha de oliva é super saudável. O espaço tem vários ambientes, sala privada para grupos de até 10 pessoas.

Imagem: Créditos Janaina Maximo
Áreas no jardim e na plantação, aliás plantam de um tudo por lá. Área do restaurante. Área do empório. Fizemos uma degustação guiada combinando frutas, salada e doce com todos os azeites, atenção especial para a folha de escarola que molhada no azeite ficou doce na boca, o encerramento foi com um shot de caipirinha tradicional com limão colhido na plantação e finalizado com azeite.
Para o almoço, voltamos para Santo Antônio do Pinhal, direto pro Restaurante Donna Pinha, da Chef Anouk, conhecidíssima por seus pratos deliciosos em todos os sentidos: visão, olfato, paladar e tato (porque algumas coisas podemos comer com as mãos). Na entrada, sempre tem o suporte com pão assado na hora e patês/geleia/antepasto. Para o prato principal tivemos o cardápio livre, então escolhi uma truta salmão com legumes e creme de queijo, mas também circulou a Moquequinha de Truta para delírio dos paladares, fechando com a sobremesa especial, bolo de lavanda com recheio de limão siciliano e sorvete de baunilha. Além dessas magias saídas da cozinha, o local tem a magia no ar também, atrás do restaurante há uma pequena capela, e uma das árvores na área do redario foi esculpida e hoje tem a face do mago, com um córrego de água cristalina catando sem parar com sua corredeira.
No dia seguinte, também conhecido como terceiro dia, acordamos na cidade de Caçapava, com a missão de conhecer a Estância Silvânia, produtora recente, começando em 2017 participando de concurso e ganhando 06 medalhas entre bronzes e pratas, já em 2018 passou para 10 medalhas sendo 03 ouros, 05 pratas e 02 bronzes, e até hoje ganham prêmios por onde passam, e representando o Brasil nos cinco continentes. Produzem queijos com o leite A2A2 de vacas Gir Leiteiras. São diversos tipos tradicionais, conhecidos, mas algum diferenciados como o Queijo Banhado na Cerveja e o famoso Queijo com Iça (formiga). Outro destaque é que são a primeira fazenda exportadora de sêmen da raça Gir Leiteira, devido ao nível genético que conseguiram chegar no rebanho.
Outra missão grandiosa e com muita memória afetiva, foi conhecer a sede da Bananinha Paraibuna, na cidade de Paraibuna, aquela barrinha feita de banana, e é banana de verdade que encontramos em todos os mercados, padarias, lojas, etc. Aprendemos que por dia recebem 15 toneladas de banana, são descascadas por pessoas reais e já passam por todo o processo de fabricação no mesmo dia, tudo começou em 1975, com o patriarca da família, hoje já é a terceira geração que está cuidando, mas sob os olhares atentos da segunda geração que continua na ativa, e mais alguns funcionários que são imprescindíveis para o andar das produções. Além da barrinha de bananinha, que equivale a três bananas nanicas, a linha aumentou consideravelmente, incluindo a zero açúcar, com chocolate, da Turma da Mônica e as paçocas com e sem açúcar.
Para o almoço, fomos conhecer o Colméia Restaurante, na cidade de Pindamonhagaba, quando chega na frente, parece um casebre de interior, de madeira, com cadeira na frente uma mesinha de centro com crochê em cima, só falta um caipira pitando um palheiro, passando a porta, já começa a surpresa, um espaço gigante, com um parquinho completo pra criançada correr e brincar, na parte de dentro, um buffet de saladasssssss, tudo o que possa imaginar, e um fogão a lenha ardendo de quente com aquela comidinha caseira do tempo que nossas avós faziam, com tempero, sabor, sal, banha. Comida simples, mas cheia de gostosura. Num canto do salão uma “parrilla” e uma chapa, onde a carne é assada e finalizada com molhos feitos na casa. No balcão tem uma diversidade de licores também produzidos na casa e as cachaças de um produtor vizinho. O mais legal, tudo é comprado por kilo, inclusive o café da manhã aos finais de semana. O restaurante está na rota da fé, então é comum ver grupos de peregrinos alojados por lá, inclusive com seus cavalos que também tem atenção especial. Todo mês fazem uma festa especial, vale acompanhar pelas redes sociais deles e garantir o ingresso com antecedência.
À noite, ainda em Pindamonhagaba, fomos conhecer a Massaropi Pizzas, até aí OK, uma pizzaria, espaço aconchegante, equipe sorridente, mas quando o cardápio chega, acontece a magica da gastronomia, tem aquelas básicas tradicionais, mas as perfeitas, são as diferenciadas. Massa de longa fermentação e coberturas surreais de maravilhosas. Pode se jogar sem medo de ser feliz. Do bar, aceite a Soda de Uvaia, ela abre o apetite, limpa o paladar pra tudo de bom que virá me seguida, e de entrada a burrata é uma ótima pedida, mas já sabe, é diferenciada.
No quarto dia, fomos para Natividade da Serra, normalmente vemos em placas na estrada e pensamos: “o que será que tem lá?” e nunca paramos, mas dessa vez, nós realmente entramos na cidade, fomos conhecer a praça deck que da vista para a represa, aliás, represa esta que foi fabricada para abastecer a região, alagando a cidade velha. Subimos na balsa (sim lá tem balsa) atravessamos a represa em quase 15 minutos e seguimos pela estrada de terra, 13 km por curvas, subidas, por bastante tempo.
Chegamos no paraíso da queijaria Christopher & Zeide, um casal formado por um francês e uma brasileira, também com uma história de vida surreal, inclusive com viagem pelo mundo de veleiro. Em algum momento, Christopher indo pela estrada viu a placa com o nome da cidade e entrou, e fuçou, e procurou sem saber ao certo o que, e encontrou, uma área gigante à venda, comprou pensando que futuramente não precisaria se preocupar com prédios e condomínios a sua volta. Construiu sua casa e uma queijaria, com a ideia de fazer queijos misturado técnicas francesas com sabores brasileiros e vice versa. Foram milhares de testes, aprendizados, conquistas, idas e vindas pela estrada de terra e a balsa. Hoje norteados por quatro princípios: paixão pela arte queijeira, prazer em fazer e compartilhar, respeito ao meio ambiente e ao consumidor e excelência em todos os processos. Todos levam SERRA nos nomes por conta da paixão pelo local, são eles: Caetê da Serra, Curió da Serra, Mimo da Serra, Tangará da Serra, Manacá da Serra e Coração da Serra.

Imagem: Créditos Janaina Maximo
Para ficar ainda melhor, fomos presenteados com uma belíssima fondue de queijos no mini pão italiano e raclette com batatas, numa mesa posta belíssima, inclusive é uma experiência que todos podem vivenciar, só cuidado com o vinho. Se beber não dirija.
Voltamos para Santo Antônio do Pinhal, para conhecer a Nova Palmier, um misto de padaria, empório, boulangerie, colo de mãe, bem a cara da cidade. No cardápio lanches diferencialmente diferenciados, como por exemplo o Kinchii Queijo Quente, ou o Lanche de Pastrame-Picles-Mostarda Doce, entre outros e detalhe tudo feito na casa. Sopa de cebola de verdade. E para os doces, sim uma bela e gigante palmier, e muitas outras delicias, de chocolate, de creme de pistache, sem recheio como o croissant para poder saborear com geleias ou puro. Para as bebidas, os tradicionais, mas diferenciados, café espresso ou coado, converse com o barista sobre o grão do dia, ainda pode optar pelo matcha. Tradição francesa com alma da Mantiqueira, pode separar tranquilamente 01 hora do seu dia para saborear, ou se for ficar mais tempo na cidade, e não for em hotel, vale aproveitar e tomar o café da manhã por lá, assim cada dia poderá experimentar algo diferente e gostoso, vale também como lanche da tarde quase noite.
No quinto dia, tivemos o privilégio de uma aula sobre a história do azeite no Brasil e na Mantiqueira paulista e mineira, com o Sr Luis Rossini, do Azeite Rossini, em Santo Antônio do Pinhal mesmo, mas na região rural. Explicou o método da colheita, prazos, tipos, prêmios, fraudes, e por aí vai. Antes de deixar a cidade, fomos conhecer e degustar chocolates do Uma Doce Revolução, onde produzem chocolates com leite vegetal, açúcar de coco, e diversos insumos diferenciados, permitindo com que fiquem saudáveis, gostosos e perfeitos para todos os tipos de hábitos alimentares.
Partimos para Campos do Jordão, direto no Horto Florestal, prum almoço em meio a natureza no Restaurante Dona Chica, do Chef Anderson Oliveira, uma experiência diferenciada, realizada mediante reserva com a confecção dos pratos ao vivo, as mesas entre as árvores, e tendo como plateia, uma família de Jacus, a espera de uma brecha para participar ativamente da refeição. No menu, entrada com o mix de delicias (bolinho de javaporco, bolinho de pinhão, bolinho de truta, coxinha e peixinho da horta, com molho de pimenta da casa e cebola caramelizada), para prato principal, duas opções bem saborosas e localmente caipiras (truta com legumes na brasa e arroz caldoso de porco), e na sobremesa o famoso trio delicia da casa (brigadeiro de capim santo – brownie – sorvete de baunilha), para beber, diversas opções de drinks da casa, como o ALICE drink sem álcool, e a Cerveja de Tomate da Árvore, feita especialmente para o Dona Chica.
E falando em cerveja, e já estando no Horto, fomos direto para a GARD Cervejaria, fomos recebidos pelo proprietário, Julio, membro da família dinamarquesa que se instalou em Campos do Jordão antes mesmo da cidade ser cidade. Tivemos uma aula de história da cidade, da região, do Horto, das fronteiras, da gastronomia, e claro, da cerveja. E para esse tour há duas opções, uma ficar hospedado com eles, sim, eles têm alguns chalés para hospedagem, ou ir de traslado/transfer, porque você vai começar pela régua de degustação, e se ainda tiver dúvidas, repita a régua de degustação, Eu particularmente prefiro a Hellness e a Sour.
No sexto dia, já em Taubaté, fizemos um tour pela cidade guiado, começando pelo trecho de Quiririm, e quando for se prepare, é uma viagem no tempo, com casarões, relíquias, memórias de estrangeiros, fazendas, até mesmo da colonização. Na sequência fomos conhecer a Casa do Figurinista, técnica onde artesãos e artesãs trabalham com argila, formando imagens de santos, animais como pavão (animal símbolo), personagens. Na lojinha, há divisórias com a foto e nome de cada artista e suas obras, a maioria está à venda, mas também há alguns que permitem a doação, principalmente de imagens de Nossa Senhora Aparecida.
Logo depois fomos no Museu de História Natural de Taubaté, é uma viagem no tempo de muitos milênios atrás, tem fóssil de tudo quanto é tipo, tamanho, espécie, encontrados na Mantiqueira e pelo mundo. Vários animais empalhados. E spoiler: em breve vão receber um esqueleto gigante bem especial. São 600m² alucinantes. E para encerrar o tour, claro que não poderia faltar aquele momento emoção muito especial, a visita ao Sitio do Pica Pau Amarelo, ou seria a Casa de Monteiro Lobato, tanto faz, porque ao passar da porteira, nossa memória é conduzida para algum lugar entre o real, na nossa própria história de vida de quando assistíamos os capítulos, e a imaginária, onde embarcávamos nas estórias contadas em cada capítulo.
Numa área arborizada, uma casa mais que centenária, com moveis, livros, cheiros, e traquinagens no ar, afinal todo dia tem excursão das escolas, com apresentação de teatro. Fomos recebidos pela Tia Anastácia, com a fala caipira, uma cozinha saída de um dos livros de contos, abraço acolhedor, e de susto apareceram com os tradicionais bolinhos de chuva. No grupo haviam pessoas de varias idades, e é nessa hora que todos ficam iguais, emocionados com a situação toda, cada qual com suas lembranças. Para encerrar o dia, fomos conhecer o Senac Taubaté, anfitrião da etapa do projeto Sabor São Paulo, onde aconteciam palestras para o pessoal de gastronomia da região, com temas e oportunidades interessantes, encerrando com uma aula show do Chef Ivan Ashcar, utilizando produtos da região, fez um caprichado prato de quirera – frango ensopado – farofa.
No último dia, no Senac de Taubaté aconteceu o gran finale, onde todos os produtores e restaurantes participaram do evento com suas delicias, e o público pode se deliciar, com musica ao vivo no estilo meio blues meio rock meio algo de muito bom. Tudo isso em uma semana, mas confesso que cada cidade iremos voltar com pelo menos quatro dias disponíveis para explorar minuciosamente, pois são muitas riquezas, histórias, aprendizados.
Agradecemos pelo convite: Revista Prazeres da Mesa, Mesa São Paulo, Secretária de Turismo do Estado de São Paulo.
Agradecemos também, todos os estabelecimentos que nos receberam e compartilharam suas histórias e delicias. Esta experiência foi elaborada por humanos, executada por humanos e vivenciada por humanos.
Foi, experimentou, gostou, compartilhe marcando @baressp seu post poderá aparecer nas nossas redes.
Até a próxima!!!











